AUTO ESPORTE entrevista Peter Schreyer

Sé há um grande responsável pela mundança de imagem que a Kia vem sofrendo nos últimos anos, este é Peter Schreyer, chefe de design da montadora sul-coreana. Oriundo da Audi, onde foi o “pai” do TT, um verdadeiro marco da montadora alemã, Peter é o responsável pelos mais recentes modelos da Kia. A AUTO ESPORTE entrevistou o designer e transcrevemos, com o devido crédito, a matéria realizada pela importante revista brasileira:
“Alemão da Bavária, ele não fala coreano. Mas, nos últimos quatro anos, traduz com sucesso a linguagem que a Kia quer imprimir em seus automóveis. Nascido em 1953, Peter Schreyer assumiu a diretoria geral de design da marca com a missão de definir um estilo exclusivo para toda a linha. E conseguiu: comanda a equipe que criou o bem-sucedido Soul, além de modelos como Cerato, Cadenza, Sorento e Sportage – sem falar do novo Magentis. Com um currículo de dar inveja, Schreyer atuou oito anos na Audi, onde foi o responsável pela criação do icônico cupê TT, referência em estilo ainda hoje.
O que quis expressar com o novo visual do Sportage?
Estou muito orgulhoso. É um grande passo em relação ao antigo Sportage. Se você olhar para toda a proporção, verá uma bela relação entre as formas da carroceria e dos vidros, bem baixos, como em um esportivo. Apesar disso, o espaço interno é amplo. O carro tem desenho mais fluido, mais aerodinâmico e “clean”. E, ao comparar o Sportage com o conceito Kue, apresentado há três anos em Detroit, você vê que ele carrega muita inspiração daquele protótipo. Isso mostra como é possível transferir ideias de um “show car” para um carro de produção.

Do que você mais gosta nele? Não posso dizer que gosto mais de uma parte ou de outra. Gosto do conjunto. Desenvolvemos nossa própria linguagem, nossa “face”, o que é importante. Há um detalhe, por exemplo, no topo do para-brisa, que não é totalmente reto… A intenção é que você possa reconhecê-lo a distância.

Qual era seu objetivo quando foi para a Kia? Você o alcançou?

Nos últimos anos desenvolvemos diversos novos modelos e mudamos quase toda a linha. Novo Sportage, Sorento. Todos ficaram muito bonitos. Então, para mim, é uma satisfação. Estou gostando muito disso.


Como você vê o design da Kia antes e depois do seu trabalho?
Os carros da Kia eram muito bons, mas neutros em design. Não tinham distinção característica real. Agora você pode reconhecer um Kia. E a Kia está se tornando mais forte como marca, o que se deve aos novos produtos e ao design consistente.

Você concorda com o conceito de “family face”? Ele não deixa os carros muito parecidos?
Depende de como você faz isso. Há marcas em que todos os modelos realmente parecem o mesmo, como no caso da Audi. Mas nossa intenção inicial é que todos os veículos pareçam um Kia. Eles podem ser similares, mas não queremos que todos sejam iguais, queremos que sejam reconhecidos como parte de uma família.
É preciso mudar o visual dos carros em cada região?
Um BMW é o mesmo em todos os países e eles são muito bem-sucedidos. Então, acho que isso não é um problema.
Qual o carro preferido entre os que você desenvolveu?
Isso é sempre muito difícil. Todos são como bebês, é difícil apontar seu filho preferido. O mais recente acaba se destacando e, nesse momento, é o Sportage.

Qual o elemento mais importante nos seus projetos?
É a “face”, a identidade. Assim como você reconhece alguém por seu rosto e pode apontar as características através do formato dos seus olhos, a dianteira do carro também é muito importante.
Quais são suas influências?
Tudo. Tudo que ouço, que vejo, música, arte, arquitetura, uma máquina de café… Tudo.

O que o design significa para o consumidor?

O design é o que define a compra do carro. Algumas pessoas até fazem compras racionais, mas você não pode evitar a influência do design.
É mais difícil saber o que as novas gerações esperam de um carro no futuro?
Acho que é mais difícil para eles mesmos saberem o que querem. Fazemos o que achamos que deve ser feito para daqui a dez anos, mas eles não sabem o que esperam.

Qual o próximo desafio do design automobilístico? Provavelmente será combinar baixo consumo de combustível à liberdade de escolha dos consumidores e à liberdade de criar carros variados, de tamanhos. O desenvolvimento de materiais mais leves deverá ter muita influência. Mas a estrutura básica não vai mudar. Daqui a dez anos ainda será possível reconhecer carros como carros.
É mais difícil projetar carros com as novas exigências de segurança e emissões?
Sempre é difícil. Sempre há novos desafios. E sempre temos de correr atrás deles. Não há monotonia em nosso trabalho.
E qual o futuro do design na Kia?
O Sportage é um novo passo. De carro para carro, estamos dando um passo adiante, e também aprendendo coisas para implementar no próximo. No futuro, teremos mais híbridos e alguns modelos elétricos. Assim como o Kue serviu de inspiração para o Sportage, você pode olhar para o Ray, um estudo aerodinâmico feito pelo estúdio da Kia nos EUA, e imaginar que ele provavelmente inspirará nossos carros daqui a três, quatro ou cinco anos.”

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